Redação de Samila Dias

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O tema sorteado para o nosso grupo foi “Meio Ambiente no Comércio”, focalizado em Moradores de Rua e Turistas. Nós abordamos pessoas em volta do Comércio, Praça da Inglaterra, Mercado Modelo, Elevador Lacerda e locais próximos. O ponto foi um tanto quanto favorável pois o porto se situa próximo a praça da Inglaterra; tanto o de pequenas lanchas quanto o de grandes embarcações, o que facilitou o contato com turistas. A inicio saímos com papel e caneta apenas, observando as pessoas até escolhermos algumas que caíssem bem no nosso tema. Confesso que a inicio tive problemas por timidez, e dificuldade para simplesmente abordar as pessoas na rua, mas depois isso foi contornado.
Ao amanhecer, a imagem no Comércio é deplorável. Há moradores de ruas alojados em pontos muito pouco apropriados, quase arriscados, como em calçadas, escadarias de bancos e debaixo de toldos de lojas. Acredito que, a primeira vista de uma pessoa para aquele quadro deve ser completamente chocante, e desagradável. A praça da Inglaterra, em frente a nossa faculdade, mais especificamente no banco publico em frente ao Banco Santander, serve de ‘Moradia’ para seu Antônio, 49 anos, morador de rua. Encontrei certa dificuldade para abordá-lo a inicio, mas depois ele começou a responder minhas perguntas com exatidão. Me contou que não fica fixamente ali, mas que ultimamente, devido ao calor, tem optado por lá. Está desabrigado já há cerca de 05 anos (ele não se recordou com exatidão). Segundo ele, não tinha filhos e morava com a esposa no bairro de Paripe, até que perdeu o emprego. Isso se seguiu de vários problemas em sua residência, até que ele começou a consumir bebidas alcoólicas, o que piorou a situação. O relacionamento acabou, ele saiu de casa, e sem ter para onde ir, terminou nas ruas. Conta que não recebe alguma ajuda do governo, e cata latinhas para trocar por dinheiro, modo como se alimentar, e que não tem nenhuma perspectiva de atualmente conseguir um emprego, ou reconquistar um lar.
Quanto aos turistas, tivemos um pouco de sorte. O carnaval é a melhor época para o turismo na cidade, e foi fácil encontrar turistas bem dispostos a colaborar. A turista Cássia Guedes, 24 anos, que vinha de Santa Catarina para o carnaval, se revelou fascinada com a cidade, sendo essa sua primeira visita. O estado de abandono de alguns pontos do Comércio não pareceram incomodá-la. Pelo contrário, ela diz achar tudo muito lindo, os baianos muito receptivos, o clima muito gostoso, uma vez que em Santa Catarina faz frio na maior parte do ano. Questionada sobre o que pensava sobre o estado de conservação do Comércio, onde ela estava no momento, ela se resumiu a dizer que estava achando tudo muito bom, e que não encontrara defeito ainda.
Já o turista Frederico Silva, 29 anos, já em sua segunda visita, vindo do Paraná, se queixou de problemas. Segundo ele Salvador, sendo uma cidade histórica, merecia melhor cuidado e destaque. Relatou ter encontrado problemas no transito, para chegar aos pontos onde desejava, e que havia muito lixo espalhado pelas calçadas, o que desmerecia os pontos turísticos. Mas ainda assim se disse encantado com a beleza daqui, contou que quando vai embora sente logo vontade de voltar para provar do acarajé daqui novamente, e que as praias são deslumbrantes. Seu ponto turístico favorito é o Farol da Barra.
Ainda entrevistei mais um turista e alguns trabalhadores da área (Tentei mais um morador de rua, porém ele não se mostrou disposto a falar), porém creio que o explanado foi o suficiente para dar uma idéia, por cima, do que nossos alvos, no caso mendigos e turistas, entrevistados, pensam da situação do Comércio atualmente. Os turistas pouco fazem caso, uma vez estando apenas de passagem não se demoram no Comércio, partindo logo para as praias e os pontos turísticos, mais interessados agora no carnaval, e os moradores de rua também não parecem se interessar. Segundo meu entrevistado a vida já é suficientemente difícil para ele ainda se preocupar com a preservação do bairro.